A verdadeira tragédia não é ter medo. É continuar vivendo como se tudo estivesse normal.
Chega um momento em que algo dentro de você deixa de ser confiável. Não é uma dor insuportável. Não é uma cena de filme. É mais humilhante do que isso: num segundo você está bem, e no seguinte seu corpo começa a te decepcionar de maneiras pequenas, estranhas, quase ridículas… até que você não consegue mais fingir que está tudo bem.
Primeiro, é uma mão que não responde da mesma forma. Depois, uma palavra que fica presa na garganta. Em seguida, aquele desconforto estranho no rosto, como se estivesse “pesado” de um lado. E enquanto você tenta seguir com o seu dia, é acompanhado por essa sensação de ver anos sendo silenciosamente roubados de você. Você se olha no espelho e algo não se encaixa. Você se move e não se reconhece. Você tem vergonha de dizer isso. Tem ainda mais vergonha de minimizar. Porque uma parte de você já sabe que o que está sentindo não é normal, mas outra parte quer continuar agindo como se nada estivesse errado.