Minha mente já estava elaborando um plano.
Quando finalmente chegou à minha mesa, enxugou um pouco de água da superfície e sorriu para mim.
“Um dia difícil?”
“Pode-se dizer que sim”, admiti ao me apresentar.
Ela me serviu outro copo. “Bem, o segredo é açúcar extra. É por conta da casa. Meu nome é Claire.”
Minha mente já estava elaborando um plano.
Quase sorri. “Você tem cinco minutos para conversarmos mais tarde? Tenho uma proposta estranha para você.”
Ela inclinou a cabeça, intrigada. “Meu intervalo é só daqui a duas horas. Mas se você ainda estiver aqui, pode me explicar então.”
Pela primeira vez em meses, eu realmente queria ficar.
***
Quando Claire finalmente se sentou ao meu lado durante seu intervalo, ela me entregou um prato de biscoitos.
“Certo”, disse ela, lançando-me um olhar de soslaio. “Estou aqui. Então, qual é essa proposta estranha?”
Mexi nervosamente na minha xícara. “Isso vai soar estranho, mas me escute até o final, tá bom?”
“Você tem cinco minutos para conversarmos mais tarde? Tenho uma proposta estranha para você.”
Claire sorriu. “Pode falar, me conte.”
Respirei fundo. “Meus pais… eles são ricos. Clube de campo, férias na Europa, tudo o que é preciso para ser rico.”
Ela assobiou baixinho. “É intenso.”
“Eles me deram um ultimato. Casar antes do meu próximo aniversário ou ser deserdada.”
” Seriamente ? “
“Isto não é uma brincadeira. Chegaram mesmo a dar-me uma lista de mulheres aceitáveis. Não quero casar com nenhuma delas. Mal as conheço. Mas também não quero perder tudo o que sempre conheci.”
“Pode falar, me conte.”
Claire recostou-se, observando-me atentamente. “Então, você quer que eu… o quê, finja ser sua esposa?”
“Exatamente. Um ano. Sem compromisso. Preenchemos a papelada, fingimos estar casados na frente dos meus pais e depois nos divorciamos discretamente. Vou te pagar bem, prometo. Você pode dizer o que quiser para sua família. Eu cuido de tudo.”
Ela tomou um gole de café, permanecendo em silêncio por um minuto.
“Haverá um contrato?”
“Sim, haverá um. Vou colocar tudo por escrito.”
“Então você quer que eu… o quê, finja ser sua esposa?”
Claire bateu na mesa com a ponta dos dedos. “E posso contar aos meus pais que vou mesmo me casar?”
“Com certeza. Não esperaria nada menos.”
Ela olhou para mim. “Você parece sincero, Adam. Ou pelo menos desesperado.”
“Um pouco de ambos, Claire.”
Claire assentiu com a cabeça. “Certo. Envie-me os detalhes por mensagem de texto.”
Naquela noite, meu telefone vibrou: “Ok, Adam. Estou dentro.”
“Muito bem. Envie-me os detalhes por mensagem de texto.”
***
O casamento acabou antes mesmo que eu tivesse tempo de perceber. Aconteceu em um salão chique do clube de campo, com uma refeição insossa, música sem graça e meus pais conversando com estranhos em um clima tenso.
Claire usava um vestido simples e o cabelo preso. Seus pais estavam sentados em silêncio a uma mesa no fundo da sala, de mãos dadas, com um semblante ao mesmo tempo orgulhoso e constrangido. A mãe dela me parecia familiar, mas eu não conseguia me lembrar de onde a conhecia.
Ouvi minha mãe sussurrar para meu pai: “Pelo menos os pais dela se vestem de forma conservadora.”
As fotos ficaram estranhas e frias. Os sorrisos dos meus pais desapareceram assim que a câmera foi abaixada, mas seus olhos continuaram fixos nas mãos de Claire.
A mãe dela me pareceu familiar.
A mãe de Claire me abraçou carinhosamente e sussurrou “Obrigada por amá-la”, mesmo sabendo a verdade.
Seu pai apertou minha mão, com um aperto surpreendentemente firme. “Cuidem um do outro, Adam.”
***
Após a recepção, os pais de Claire a abraçaram fortemente no hall de entrada.
Sua mãe colocou um amuleto da sorte em sua mão. “Ligue para nós se precisar de alguma coisa. Estamos muito felizes por você.”
Fiquei ali parada, desconfortável e exposta, enquanto meus próprios pais passavam por mim, mal acenando com a cabeça para a família que acabavam de herdar por contrato.
As fotos ficaram estranhas e frias.