“Não”, repeti. “Desta vez não.”
O gerente do clube parou no bar, franzindo a testa para a nossa mesa. Minha mãe pegou a bolsa. Levantou-se tão depressa que a cadeira arrastou no chão. Metade do salão se virou.
“Richard, nós vamos embora.”
Claire também se levantou, calma e serena. “Minha mãe tem um nome. É Martha.”
Meu pai seguiu minha mãe para fora sem dizer mais nada.
Deixei algum dinheiro sobre a mesa e me levantei. “Não aceitarei mais um centavo de nenhum de vocês.”
Claire estendeu a mão para mim e, desta vez, eu a peguei primeiro.
“Minha mãe tem um nome. É Martha.”
***
Enquanto caminhávamos para casa, Claire tirou uma receita da bolsa. “Tenho a receita de biscoitos da minha mãe.”
“Obrigada por trazê-la de volta para mim.” Eu sorri. “Eu sei que não a reconheci antes… tanto tempo se passou, Claire. Mas agora…”
“Tudo está diferente”, concluiu ela. “Olha, eu sei que ainda temos um contrato, mas eu te vejo de forma diferente agora, Adam. Vamos nos conhecer melhor.”
“Talvez saindo juntos?”, perguntei.
Mais tarde, quando Claire me ofereceu um biscoito quentinho, entendi algo que Martha já sabia antes de mim.
O amor nunca esteve ligado ao dinheiro dos meus pais.
Sempre residiu nas pessoas que eles consideravam inferiores a si mesmos.
O amor nunca esteve ligado ao dinheiro dos meus pais.