Minha sogra deixou meu cachorro sair pelo portão enquanto eu estava fora – quando meu marido percebeu, levou um susto que o deixou pálido.

***

Kenny enxugou as mãos num pano e olhou para Frankie, que estava encolhido na sua cesta perto da porta dos fundos.

“Ele parece cansado hoje”, disse ele.

“Ele deu uma volta completa comigo esta manhã. Ele até cumprimentou a Sra. Alvarez.”

“Essa mulher o adotaria sem hesitar.”

“Ela já sugeriu isso”, respondi, rindo. “Duas vezes!”

Meu marido riu quando ouviu a sugestão da nossa vizinha.

“Ele parece cansado hoje.”

Peguei minha bolsa no balcão e olhei para o relógio. A lavanderia fechava às 16h, e eu ainda precisava passar na farmácia para comprar as gotas para alergia do Laurence.

“Já vou sair daqui rapidinho. Vinte minutos, no máximo. Você pode cuidar disso?”

“Como sempre”, respondeu Kenny. “Dirija com cuidado.”

“Você vai cuidar disso?”

Eu me abaixei para bagunçar as orelhas de Frankie do jeito que ele gosta, bem na base, onde o pelo é mais macio.

Ele piscou os olhos enquanto me olhava, com aquele olhar preocupado e paciente, e deu um leve movimento displicente com o rabo.

Saí para a varanda e fechei a porta atrás de mim.

Ele piscou os olhos enquanto me olhava.

***

Ontem, tive que fazer mais uma tarefa enquanto o Kenny estava no trabalho.

Liguei para Isabella, a filha adolescente da Sra. Alvarez, e pedi que ela cuidasse das crianças por um tempo.

Ao sair de casa, com as crianças seguras sob a supervisão de Isabella, dei uma última olhada pela janela para Frankie, que cochilava em sua cama, sem imaginar que, no instante em que girasse a chave na fechadura novamente, meu mundo inteiro já estaria de cabeça para baixo.

Dei uma última olhada pela janela.

***

Assim que entrei pela porta da frente naquela tarde, senti que algo estava errado.

A casa estava silenciosa demais, de um jeito que não parecia certo.

Então eu a vi.

Diane estava sentada à minha mesa de cozinha, com as mãos apoiadas em uma das minhas belas xícaras, e uma mala cuidadosamente colocada perto da escada.

Jillian e Laurence estavam colorindo no tapete ao lado dela, com as cabeças curvadas sobre as folhas de papel.

A babá não foi encontrada em lugar nenhum.

Então eu a vi.

“Onde está Isabella?”, perguntei sem sequer cumprimentá-la.

“Andrea, querida, você voltou”, disse Diane docemente. “Ah, eu a mandei para casa. Usei a chave de emergência. Pensei em surpreender a todos e ficar alguns dias. Você não se importa, né?”

Consegui esboçar um leve sorriso. Não sei como consegui.

“Mamãe, olha, eu desenhei um cavalo arco-íris”, disse Jillian, mostrando a folha de papel.

“Onde está Isabella?”

“É magnífico, meu amor”, eu lhe disse, enquanto meu olhar já percorria todo o cômodo.

Algo estava me incomodando.

Frankie não tinha vindo me cumprimentar. Ele não estava sentado ao lado das crianças como de costume, e sua cama estava vazia.

Nenhum tilintar de garras no azulejo. Nenhum rastro de passos lentos e rígidos em direção à porta onde ele sempre me esperava. Dezesseis anos, e ele nunca havia perdido uma única vez em que voltei para casa.

“Frankie?” chamei. “Meu garoto?”

Nada.

Algo estava me incomodando.

Passei pela sala de estar, pelo corredor e pela lavanderia, onde meu animal de estimação às vezes cochilava ao pôr do sol. Olhei atrás do sofá e para dentro dos nossos quartos.

A porta de correr dos fundos estava entreaberta. O portão no fundo do jardim estava escancarado, balançando suavemente com a brisa.

Minhas mãos ficaram geladas. Procurei pelo jardim. Nada.

Voltei lentamente para a cozinha, lutando contra a vontade de gritar.

A porta traseira deslizante estava entreaberta.