“Diane. Onde está Frankie?”
Minha sogra estava mexendo o café, calma como sempre.
“Ah. Ele estava me rodeando enquanto eu trazia minha bolsa para dentro. Estava choramingando e me seguindo por todo lado. Sabe como são os cachorros nessa idade. Então eu o coloquei lá fora, atrás do portão.”
Uma sombra cruzou seu rosto, por um instante.
Na idade dele.
A maneira como ela disse isso, cautelosamente e como se tivesse ensaiado, como se fosse uma frase que tivesse guardado na boca a tarde toda.
“Você sabe como os cães são nessa idade.”
Senti minhas pernas fraquejarem de verdade. Agarrei-me ao balcão.
“Ele tem 16 anos, Diane. Meu cachorro mal consegue ouvir. Ele não sai de casa a menos que estejamos com ele.”
“Bem, ele fez isso hoje.”
“Por que você o deixou sair sozinho?”, perguntei em tom de acusação.
“Mãe?” Laurence ergueu os olhos, com o lápis parado no ar. “Frankie está perdida?”
“Não, meu amor”, respondi, tentando manter a voz calma por causa dele. “Mamãe vai encontrá-lo. Vá colorir com sua irmã.”
“Bem, ele fez isso hoje.”
Voltei-me para Diane, e algo dentro de mim, que havia sido educado por seis anos, finalmente se rompeu.
“Você o deixou sair de propósito! Você vem dizendo ao meu marido há anos que não quer ‘aquele animal’ perto dos seus netos. Você aparece sem ser convidada, com uma mala, e a primeira coisa que acontece é o meu cachorro desaparecer?”
“Ah, calma, Andrea. Escuta o que você está dizendo.” Ela pousou a xícara delicadamente. “Você parece histérica. Para um cachorro. Vim ver meus netos sem ele correndo debaixo dos meus pés.”
“Você simplesmente apareceu sem ser convidado.”
Eu estava apavorada!
“Não quero você na minha casa! Saia daqui!”, eu disse.
Minha sogra ergueu as sobrancelhas, parecendo quase divertida.
“Como?”
“Você ouviu direito! Eu não quero você aqui. Não hoje. Não com essa mala. Não com essa chave que você deveria ter devolvido.”
“Kenny vai descobrir o que significa esse tom, mocinha!”
“Que ótimo! Espero sinceramente que ele fique sabendo disso!”
“Eu não quero você aqui.”
Peguei as chaves do carro no gancho, minha mão tremendo tanto que elas tilintavam. Eu ia percorrer todas as ruas do nosso bairro. Ia bater na porta da Sra. Alvarez. Ia encontrá-lo.
Eu estava prestes a colocar a mão na maçaneta.
Antes mesmo que eu pudesse tocá-la, a porta se abriu para dentro sozinha!
Kenny estava lá, ofegante, com os joelhos das calças de trabalho enlameados.
Peguei as chaves do carro no gancho.
Meu marido segurava na mão um pequeno maço de papéis dobrados.
Assim que Diane o viu, levantou-se, empurrou a cadeira para trás, aproximou-se e atirou-se sobre ele sem hesitar.
“Kenny, graças a Deus! Sua esposa perdeu completamente a cabeça por causa daquele cachorro! Ela está gritando comigo na frente das crianças e tentando me expulsar de casa!”
Kenny desviou o olhar de mim para ela. Então, seu olhar encontrou o meu, e ele acenou levemente com a cabeça.
“Sua esposa perdeu completamente a cabeça!”
“O Frankie está na caminhonete”, disse meu marido em voz baixa. “Ele está bem. Está cansado, mas está bem.”
Quase perdi o equilíbrio nas pernas. Agarrei-me à parede para não cair.
“Como você…” comecei.
Kenny finalmente se virou para a mãe. Sua voz assumiu um tom gélido que eu nunca tinha ouvido antes — profundo, sereno e frio.
“Mãe, preparei uma pequena surpresa para você.”
Diane piscou.
“Ele está bem. Está cansado, mas está bem.”