“Você acha que foi coincidência a Sterling Dominion se tornar a principal patrocinadora deste torneio?”
Não disse nada.
“Ou que o desafio final se baseava em criptografia proprietária que seus engenheiros não conseguiram quebrar em cinco anos?”
Um arrepio percorreu meu corpo.
O desafio final.
Leo e Ethan resolveram o enigma em menos de onze minutos.
Um recorde do torneio.
Elena sorriu.
“Eles não apenas venceram esta noite.”
Ela lançou um olhar para a mochila de Leo.
“Quando decifraram sua criptografia ao vivo na televisão nacional, eles também ativaram uma chave de descriptografia pública.”
Minha boca ficou seca.
“Qual tecla?”
“Aquela relacionada a uma auditoria completa da Sterling Dominion.”
Parei de respirar.
“Os documentos que Leo acabou de guardar contêm provas de que a tecnologia central da sua empresa foi desenvolvida utilizando propriedade intelectual legalmente registrada em nome da Holloway Biometrics.”
Antes que eu pudesse responder, passos estrondosos ecoaram pelo corredor.
“Julian!”
Victoria apareceu na esquina.
Preston vinha atrás dela, segurando sua fita de participação e com uma expressão de quem havia chorado.
Victoria apontou para Elena e para os gêmeos.
“Liguei para nossos advogados! Essas pessoas trapacearam! Vou processar o torneio, a fundação, todos os envolvidos. Aqueles ratos de rua humilharam meu filho!”
“Victoria, pare.”
“Como você ousa falar comigo desse jeito?”
Ela se virou para mim.
“O dinheiro do meu pai te fez feliz. Sem a família Sterling, você não é nada.”
Ethan retirou calmamente um tablet fino de dentro do paletó.
“Na verdade, de acordo com o documento regulatório divulgado há aproximadamente três minutos, o Sr. Sterling está prestes a ficar com muito menos do que nada.”
Victoria olhou fixamente para ele.
Parte 2:
“O que isso quer dizer?”
Elena respondeu.
“Significa que seu marido usou as empresas da sua família para esconder tecnologia que nunca lhe pertenceu legalmente.”
Victoria riu nervosamente.
Você está mentindo.
Seus olhos se voltaram para mim.
“Julian, diga a ela que ela está mentindo.”
Eu não consegui.
E aquele silêncio lhe disse tudo.
Durante treze anos, eu me convenci de que era um empresário brilhante.
Que abandonar Elena fora necessário.
Que ela teria me impedido.
Casar com Victoria foi uma decisão estratégica que me abriu portas que eu jamais teria conseguido abrir de outra forma.
Eu havia tolerado a arrogância de Victoria.
Eu havia tolerado a arrogância de Preston.
Porque eu pensava que riqueza significava que eu tinha vencido.
Parado naquele corredor, finalmente entendi o que eu realmente tinha feito.
Eu havia trocado ouro por latão.
## PARTE 3
Leo tocou no tablet.
“O conselho já foi notificado.”
O rosto de Victoria empalideceu.
“Os órgãos reguladores federais foram automaticamente acionados quando a criptografia foi quebrada.”
Ele olhou de relance para a tela.
“As ações da Sterling Dominion caíram 42% no pregão estendido.”
Meu coração afundou.
“Até amanhã de manhã, seus bens pessoais deverão estar bloqueados enquanto a investigação estiver em andamento.”
Preston começou a chorar novamente.
“Mãe… isso significa que não vamos para as Bahamas?”
“Cala a boca, Preston!”
Victoria agarrou meu braço.
“Julian, resolva isso! Chame a segurança! Ligue para o governador! Ligue para alguém!”
Retirei delicadamente a mão dela.
“Não há mais nada para consertar.”
Ela ficou me encarando.
“Acabou.”
A palma da mão dela atingiu meu rosto.
O som ecoou pelo corredor.
“Seu parasita patético!”
Ela deu um tapa no meu peito.
“Você me usou!”
Então ela agarrou Preston e o arrastou para longe.
Seus saltos bateram no mármore até que as portas duplas se fecharam com força atrás delas.
O silêncio retornou.
Virei-me para Leo e Ethan.
Eles ficaram lado a lado.
Alto.
Calma.
Tudo neles refletia uma força que eu passei décadas fingindo que o dinheiro podia comprar.
“Leo… Ethan…”
Minha voz falhou.
“Eu sei que não mereço perdão.”
Nenhum dos dois respondeu.
“Eu sei o que sou na sua história.”
As lágrimas finalmente escaparam.
“Mas deixe-me ajudá-lo. Deixe-me dar-lhe tudo o que me resta. Dinheiro. Propriedades. Recursos. Qualquer coisa.”
Leo olhou para mim por alguns segundos.
Por um instante, pensei ter visto algo se suavizar.
Então ele fechou o zíper da mochila.
“Não precisamos da sua caridade, Sr. Sterling.”
Sua voz era baixa.
“Tudo o que temos, conquistamos com nosso próprio esforço.”
Ele lançou um olhar para Elena.
“E tudo o que nos tornamos, nossa mãe nos deu.”
Minhas pernas cederam.
Eu caí no chão de mármore.
“Por favor.”
Eu não me importava com quem me visse.
“Eu imploro. Não me deixe sem nada.”
Elena caminhou para a frente.
Ela estava de pé sobre mim.