“Já encontrei quarenta mil. O que mais você levou?”
O silêncio tomou conta da sala.
Por fim, ele confessou.
Meses antes, Julian havia investido dinheiro em um empreendimento arriscado de importação privada com um sócio.
O investimento fracassou.
Ele perdeu seu capital e, apavorado com a possibilidade de Elena descobrir o que ele havia feito, começou a sacar dinheiro do fundo fiduciário de Maya, pois acreditava que conseguiria repô-lo antes que alguém percebesse.
Então ele conheceu Chloe e criou para ela uma fantasia completamente diferente, prometendo-lhe um futuro rico que ele já não podia bancar.
“Pensei que conseguiria resolver tudo antes que alguém se machucasse”, disse ele.
“Roubando o futuro da sua própria filha?”
“Eu nunca quis magoar a Maya!”
“Não use o nome da nossa filha para justificar o que você fez.”
Julian escondeu o rosto entre as mãos.
Durante anos, Elena imaginou que vê-lo verdadeiramente destruído a faria, instintivamente, confortá-lo.
Em vez disso, ela sentiu algo diferente.
Desapego.
“Vou pegar um voo à tarde de volta para Boston”, disse ela.
“Você está entrando com pedido de divórcio?”
“Sim. E minha equipe jurídica auditará todas as contas que tivemos nos últimos três anos.”
O pânico estampou-se em seu rosto.
“Elena, por favor. Se uma auditoria forense chegar ao banco, minha empresa vai descobrir. Vou perder minha carreira.”
Ela olhou para ele com calma.