Meu avô costurou meu vestido de baile cinco dias antes de morrer – Meus colegas de classe zombavam de mim até que o garoto mais popular da escola lhes deu uma lição.

***

Entrei no salão de baile sozinha, o vestido azul roçando delicadamente meus joelhos.

Luzinhas de fada cintilavam no teto, e o quarto inteiro cheirava a laquê e ponche barato.

Mantive os olhos fixos no chão e disse a mim mesma que só precisava aguentar firme pelo tempo da música, pelo vovô.

Foi ali que ouvi a voz dele.

“Meu Deus, olha só!”

Lorraine estava perto da mesa de bebidas, com um vestido champanhe brilhante que certamente valia mais do que o nosso aluguel.

Foi ali que ouvi a voz dele.

Suas amigas se viraram em câmera lenta, como um bando de pássaros avistando algo pequeno. Olharam para o meu vestido e começaram a rir.

Aquelas mesmas garotas que sempre zombavam de mim na escola por causa das minhas roupas não conseguiram se conter.

“Olha só, a rãzinha da região finalmente encontrou um vestido que lhe serve!” comentou uma delas.

Alguém deu uma risadinha por trás de uma mão com unhas feitas.

Suas amigas se viraram em câmera lenta.

Outra garota inclinou a cabeça e apertou os olhos para examinar minhas costuras.

“É claramente um trapo. Você costurou isso na aula de tecnologia?”

“Olha só esses pontos. É literalmente feito em casa!”

Eu não conseguia mais sentir minhas mãos.

Eu não conseguia sentir mais nada, exceto essa dor atrás dos meus olhos e a imagem dos dedos do meu avô guiando uma linha pelo tecido.

Eu não conseguia mais sentir minhas mãos.

Abri a boca para dizer algo, qualquer coisa, mas não tinha forças nem para responder.

Então me virei. Estava prestes a ir embora.

Eu voltaria para aquele apartamento e choraria no travesseiro que ainda cheirava ao pós-barba do meu avô. Eu nunca contaria a ninguém que foi assim que me despedi dele.

Foi então que uma mão repousou delicadamente sobre a minha.

Eu estava prestes a sair.

Olhei para cima. Glenn.

Ele vestia um terno azul-marinho escuro e me olhava com um olhar que eu não conseguia definir. Não era pena. Algo mais sutil. Mais triste.

“Tina.”

“Me solta, por favor”, sussurrei. “Só quero ir embora.”

“Fique aqui por dez minutos.”

“Glenn, eu não posso.”

“Por favor.” Ele apertou o abraço levemente. “Eu voltarei. Prometo.”

Ele vestia um terno azul-marinho escuro.

Glenn me soltou antes que eu pudesse protestar e caminhou resolutamente pela pista de dança.

Fiquei perplexa ao vê-lo ziguezaguear entre os casais, passando pela poncheira e depois por Lorraine, que mantinha o queixo erguido como se esperasse que ele parasse para flertar com ela. Ele nem sequer olhou para ela.

O garoto mais popular continuou subindo os três pequenos degraus que levavam ao palco e se inclinou para dizer algo ao DJ. O DJ assentiu com a cabeça. A música parou no meio da canção.

Glenn me soltou antes que eu pudesse protestar.

A agitação no salão de baile cessou abruptamente, em meio à confusão.

Todos se viraram. Alguém riu nervosamente, mas depois ficou em silêncio quando ninguém mais se manifestou.

Glenn pegou o microfone.

Ele deu um toque rápido. O som baixo e abafado reverberou pelas paredes.

Minhas pernas estavam bambas, e eu me agarrei no encosto de uma cadeira para não cair.

Glenn pegou o microfone.

“Desculpe interromper”, disse Glenn. Sua voz parecia calma, mas eu conseguia sentir algo por trás dela, algo bruto. “Eu sei que isso não faz parte do plano.”

O sorriso de Lorraine se alargou ainda mais, como se ela achasse que fosse algum tipo de piada às custas da pobre garota.

Eu a vi cutucar a amiga com o cotovelo, e ela deu uma risadinha.

O olhar de Glenn encontrou o meu do outro lado da sala.

O sorriso de Lorraine se alarga ainda mais.

“Antes que alguém comece a rir de novo”, disse ele lentamente, “há algo que todos vocês precisam saber sobre o vestido da Tina.”

Os sussurros cessaram. Até os garçons perto da parede paralisaram.

“E sobre o homem que o fez.”

Alguém deixou cair um garfo. O barulho foi tão alto no silêncio que me deu um pulo.

Lorraine abriu a boca e a fechou novamente. Sua mão escorregou do quadril, como se tivesse esquecido o que fazer com ela.

“Há algo que todos vocês precisam saber.”

Glenn ergueu o microfone um pouco mais, respirou fundo e olhou ao redor do salão de baile que, de repente, parecia pertencer somente a ele.

“O avô da Tina, Bill, trabalhou na oficina da minha família por 20 anos. Ele me ensinou a trocar um pneu quando eu tinha 10 anos. Ele substituía meu pai durante os feriados. E quando minha família passou por um período difícil, quando eu estava na oitava série, ele discretamente pagou pela minha camisa de beisebol sem contar para ninguém.”